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Diferença entre ansiedade e angústia: dá para saber?

6 de set. de 2024
4 min de leitura

Atualizado: há 4 dias

Ansiedade e angústia podem até se parecer, mas o que a gente sente nem sempre cabe no nome que consegue dar.


Angústia e Ansiedade
Dá para dar nome ao que se sente?

Você já deve ter ouvido que o Brasil é considerado o país mais ansioso do mundo, segundo dados divulgados pela OMS. Mas você sabe qual é a diferença entre ansiedade e angústia? Nem sempre é fácil nomear o que se sente, e nem tudo aquilo que a gente chama de ansiedade é a mesma coisa.


A ansiedade faz parte da experiência de muita gente. Quase todo mundo já passou ou vai passar por momentos de ansiedade na vida. A gente se preocupa com o que vai acontecer, antecipa problemas, imagina cenários, teme não dar conta. E a vida contemporânea ajuda bastante nisso: trabalho, dinheiro, relações, cobranças, excesso de informação, falta de tempo. Parece que há sempre alguma coisa acontecendo ou prestes a acontecer.


Mas e quando a gente não sabe exatamente do que tem medo?





O que é angústia?

A resposta mais fácil seria dizer que a ansiedade tem um objeto e a angústia não. A gente fica ansioso com alguma coisa: uma entrevista de emprego, uma viagem, uma conversa difícil, uma prova, uma decisão. Já a angústia seria aquele aperto que aparece sem que a gente consiga explicar exatamente de onde ele veio.


Só que, na psicanálise, as coisas não são tão simples.

Lacan dizia que “a angústia não é sem objeto”. Parece contraditório, mas é justamente aí que a coisa fica interessante. Se não sabemos dizer o que está nos angustiando, isso não significa que não exista algo ali. Significa que talvez esse “algo” não possa ser facilmente transformado em palavra.


A angústia aparece no corpo. Um aperto, uma sensação de desamparo, um incômodo difícil de localizar. Alguma coisa está acontecendo, mas a gente ainda não sabe dizer o quê.


Talvez por isso ela seja tão angustiante: a gente sente antes de conseguir entender o que está sentindo.


Para a psicanálise, a angústia não é apenas um sintoma que precisa desaparecer. Ela também pode funcionar como um sinal. Alguma coisa do desejo, da falta, do conflito ou da nossa relação com o outro está aparecendo ali.

A falta de quê? Nem sempre a gente sabe.

E talvez seja justamente por isso que seja preciso falar.


E o que é ansiedade?


A ansiedade parece ter uma relação muito particular com o futuro. É o futuro entrando antes da hora. A cabeça começa a antecipar possibilidades: E se der errado? E se eu não conseguir? E se acontecer alguma coisa?


A gente sofre por aquilo que ainda nem aconteceu (e que talvez nunca aconteça).

O corpo também participa dessa antecipação. Podem aparecer tensão, palpitação, suor, inquietação, dificuldade para dormir ou aquela sensação de que é preciso resolver alguma coisa imediatamente.


Mas também não dá para reduzir a ansiedade às pressões externas da vida contemporânea. Trabalho, dinheiro, relações e excesso de estímulos podem funcionar como gatilhos, mas duas pessoas podem viver a mesma situação e responder a ela de maneiras completamente diferentes.


Então, quando alguém está ansioso por causa de uma apresentação no trabalho, por exemplo, talvez a apresentação não explique tudo. Por que aquilo ameaça tanto? O que está em jogo na possibilidade de falhar? O julgamento de quem importa? O que significa dar errado para aquela pessoa?


É aí que a psicanálise começa a fazer outras perguntas.


Qual é a diferença entre angústia e ansiedade?




Na linguagem cotidiana, ansiedade e angústia frequentemente se misturam. E mesmo dentro da história da psicanálise essa separação não é tão simples: o termo alemão Angst, usado por Freud, recebeu diferentes traduções, entre elas “angústia” e “ansiedade”.


Por isso, talvez seja mais interessante não tentar encaixar cada sensação numa caixinha. Podemos começar perguntando: do que eu tenho medo?


Às vezes, a resposta aparece facilmente. Outras vezes, a gente encontra apenas outra pergunta.


Na ansiedade, costuma existir uma antecipação: alguma coisa pode acontecer e tentamos, de alguma forma, nos preparar para ela. Na angústia, aquilo que nos afeta pode ser muito mais difícil de representar e nomear.


Mas uma coisa não necessariamente exclui a outra. A ansiedade pode encobrir uma angústia, uma preocupação aparentemente objetiva pode carregar outros sentidos, e aquilo que parece ser apenas medo do futuro pode dizer alguma coisa sobre a nossa história.


E o que a psicanálise faz com isso?




Talvez a primeira coisa seja não ter tanta pressa para fazer o sentimento desaparecer.

Isso não significa romantizar o sofrimento. Há momentos em que a ansiedade e a angústia podem ser intensas, incapacitantes e exigir cuidado. Mas, numa análise, além de perguntar “como faço para parar de sentir isso?”, podemos fazer outra pergunta:

Por que isso está aparecendo para mim desse jeito?

Dar nome ao que sentimos não faz necessariamente o sofrimento desaparecer. Mas falar pode transformar nossa relação com aquilo que parecia impossível de nomear.


Se você deseja explorar seu inconsciente, agende sua primeira sessão de psicanálise pelo WhatsApp 11 99782-9459.


 
 

 Natália Tayota | Psicanalista © Todos os direitos reservados.

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